Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Idolatria e degradação de uma diva

ARTIGO

“Amy Winehouse bate em fã durante show”, “Cantora aparece com o nariz sujo de cocaína”, “Amy pode ter pouco tempo de vida”. Essas são algumas manchetes sobre a cantora inglesa que com apenas dois discos conquistou a fama, críticos e fãs ao redor de todo mundo. As notícias a cerca de seu estado de saúde e “loucura” borbulham no noticiário mundial, desde os jornais mais sensacionalistas, como os tablóides ingleses, até as tidos como mais tradicionais e corretos. Na verdade, todo esse interesse em torno da cantora evidencia uma lamentável pré-disposição da mídia em estrebuchar o possível fim de uma diva da música contemporânea e mais, mostrar como ela agoniza em praça pública.

Não é tão difícil – aliás, é bem fácil - encontrar diversas pessoas que se declaram ser fãs da cantora, mas se tivermos uma visão mais analítica veremos que idolatram não a Amy Winehouse artista, mas uma mulher tida como surtada, acreditam que ela tem um estilo de vida interessante e um dos mais controversos, que pode ao mesmo tempo bater raivosamente em uma pessoa na rua quando “der na telha” e abrir carinhosamente a porta de casa para dar o que beber e comer para os inúmeros pararazzi que fizeram morada em frente ao domicílio da cantora em Londres. “Fãs” que gostam e gostariam de ser como ela.
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Poucos tomam ciência de que não estamos falando de uma pessoa que escolheu esse estilo ao acaso para ficar na mídia, mas uma mulher doente que precisa urgentemente de ajuda, de tratamento. A atribuição de muitos do seu comportamento como “cool” preocupa, porque não tem nada de boêmio, descolado, como uma opção sombria de ser transgressora.

Ganhadora de inúmeros prêmios – entre eles cinco Grammy com o CD “Back to Black”, em 2006 -, o sinal de alerta veio quando as notícias sobre seu estado de saúde e “loucuras” se sobrepuseram as de sua tão elogiada música. “Ela esbraveja com a mesma força gospel de Aretha Franklin dos primeiros anos”, disse o jornal The Independent e sobre o disco premiado “sujo, divertido, sarcástico, abusado, auto-dilacerador, de cortar o corção e extraordinariamente sagaz e mundano” adjetivou o Daily Telegraph.


A mídia, também, fez o dever de casa. Espaços para discussão sobre suas loucuras, programas de TV que ironizam o “momento Amy Winehouse” com dublês que se agridem, quebram objetos na rua, uma cantora que baba como um cão raivoso. Engraçado em primeiro momento e preocupante se tivermos uma compreensão do que a brincadeira explicita: esse idolatrismo à degradação dos outros e a exposição ao ridículo da cantora. O ser humano tem esse seu defeito de se sentir mais forte quando vê outros fracassando. O exemplo mais notável é a criação do site “When will Amy Winehouse die?”, uma página de humor negro de apostas que premiará com um iPod a pessoa que acertar em qual data a cantora morrerá.
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Ao mesmo tempo no qual consegue ser uma das artistas mais interessantes dos últimos anos, cava a própria cova com o uso de drogas das mais diversas, da cocaína à heroína. Escândalos e solidão assistidos por milhares de pessoas que se jogam e apostam para descobrir como e quando será o fim. O jornalista Ademir Correa sintetizou todo o momento da cantora com “a sociedade fatalista ‘escolheu’ acompanhar sua queda, e não sua ascensão”, na revista Rolling Stones que traz Amy na capa.

Que sentimento é esse das pessoas quererem ver o fim trágico dos famosos? Parecem querer de alguma forma que estes escancarem que são meros mortais, assim como todos. Devemos ficar tristes por esse nosso desejo, que muitos podem defender como um dos mais humanos, que nos faz consumir esses periódicos que nos oferecem e nos fazem idolatrar não uma artista – uma das melhores – mas, ao contrário, alimenta esse lado negro de ver e acompanhar a degradação de uma mulher que tanto ainda pode fazer pela música. Algumas coisas precisam ser revistas, mesmo que Amy continue dizendo que “eles tentaram me mandar para a reabilitação, eu disse não, não, não”, como no trecho inicial de “Rehab”, uma das suas mais famosas músicas.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Encontre um sofá vago e conheça o mundo

INTERCÂMBIO



Maurizio Mangano (primeiro à esquerda) com diversos surfers em Milão


Hospedar desconhecidos ou ser hospedado por estranhos sem qualquer custo em um sofá. O projeto CouchSurfing (traduzido literalmente como “Surfando no Sofá”) pode parecer loucura à primeira vista, porém, está ganhando adeptos em todo o mundo. Hoje são 1.037.847 cadastrados representando 232 países, 41 a mais que a ONU (Organização das Nações Unidas). Vão dos Estados Unidos, 23,6%, ao Sahara Ocidental, com apenas um representante, o que não chega a ser 0,1%. Sem gastar dinheiro com hotéis ou albergues, os chamados surfers estão desbravando países e conhecendo novas culturas, abrindo uma nova discussão sobre o conceito de hospedagem.

A ideia do projeto surgiu quando o fundador Casey Fenton, um programador de computadores americano, encontrou na internet uma passagem para a Islândia que achou uma pechincha e decidiu conhecer o país. Como não tinha onde se hospedar e não conhecia ninguém lá, enviou cerca de 1.500 e-mails para estudantes de uma universidade da capital, Reykjavik, e perguntou quem poderia hospedá-lo. As respostas não demoraram a vir. Para sua surpresa, em menos de 24 horas, recebeu mais de cinquenta ofertas. Não teve dúvidas. Partiu com destino ao desconhecido e idealizou um projeto que relacionasse pessoas para viagens sem custo de hospedagem e com grande intercâmbio cultural.

Ser de graça não é a única vantagem do projeto. Os anfitriões costumam levar os hóspedes para conhecer a cidade e muitas vezes os surfers descobrem bares, baladas e endereços que não costumam aparecer nos guias turísticos. Fazem amigos e conhecem a vida na cidade, permitindo um contato com o cotidiano dos habitantes do lugar. Uma das desvantagens é ajudar nas tarefas domésticas, como lavar a louça.

Leonardo Penatti Agostini, de 24 anos, que conheceu o projeto através de uma amiga em 2007, lembra que o primeiro objetivo de ter se cadastrado no CouchSurfing foi encontrar pessoas que pudessem ajuda-lo durante um “mochilão” que estava planejando pela Europa. “Eu sou um grande fã do projeto. Acredito que através dele, muitas pessoas conseguem fazer um intercâmbio grande não só de culturas, mas também de amizades”, diz o campineiro que já ficou três dias em Berlim (Alemanha), dois em Viena (Áustria) e Paris (França) e cinco em Santiago (Chile).

O projeto ainda conta com “embaixadores” que divulgam o projeto pelo mundo. Maurizio Mangano é o responsável pela cidade de Milão, na Itália. Ele coordena as hospedagens e ajuda os surfers e anfitriões. “Sou cadastrado no projeto desde fevereiro de 2007 e depois de seis meses me tornei embaixador. Trabalho com o CouchSurfing mas não recebo nada por isso. É um hobby”, diz o italiano que em dois anos já cedeu o sofá para 310 pessoas, sendo oito delas brasileiras. “Sou a pessoa que mais hospeda na Itália”, orgulha-se.

Porém, o oferecido pelo projeto gera discussões entre os profissionais do Turismo. “Hospedar pessoas é algo mais complexo que isso. Acredito que esse projeto pode ser visto como prestação de um favor, nada além. Esse novo ‘serviço’ subestima a capacidade e eficiência dos profissionais da área de hotelaria e turismo”, argumenta a técnica em turismo e hospedagem, Maria Aparecida da Silva Ferreira.

A segurança é outra preocupação. Apesar de não se responsabilizar por ocasionais problemas que possam ocorrer entre surfers e anfitriões, o projeto dá dicas para evitar confusões. Cada membro pode ter um certificado de autenticidade através de uma doação, mesmo que simbólica, para o projeto. Através dos dados do cartão de crédito, o projeto verifica a veracidade dos dados cadastrados, como nome e endereço. Outra ferramenta é os depoimentos feitos nos perfis e que se tornam referências. Neles, os usuários dão sua opinião sobre as pessoas, falam das experiências que tiveram e aconselham os outros surfers a “embarcar” ou não em determinado sofá. “O importante é ter um perfil bem elaborado, com fotos, dados etc. Dá maior segurança para as pessoas trocarem informações e possíveis hospedagens”, alerta o holandês Arno van den Bos que já viajou para Argentina, França e Suíça e atualmente está em Campinas.

Para os aventureiros: www.couchsurfing.com

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Obina: folclore ou solução?

FUTEBOL

Na última segunda-feira, 25 de maio, o Palmeiras acertou a contratação do atacante Obina, que até então defendia as cores rubro-negra do clube carioca Flamengo. Mais do que uma mera aquisição de rotina do futebol brasileiro, a transferência de clube do centroavante ganhou destaque na imprensa, em várias facetas, sejam negativas ou positivas.

Como adendo, há de se afirmar que o número de rejeiçoes por parte da atitude da diretoria alvi-verde em trazer Obina para o plantel da equipe foi expressivamente maior do que os comentários positivos, sejam eles dados por jornalistas, pseudo-jornalistas, torcedores e corneteiros em geral.

Sob desconfiança de grande parte da imprensa e dos torcedores, Obina foi apresentado hoje ao Palmeiras e é o novo reforço para a temporada

Analisando friamente, não podemos dizer que a reprovação por parte da mídia sobre a chegada do ex-flamenguista seja de todo uma análise carrancuda e pessimista da situação. O histórico recente de Obina dá margens (e como!) para as críticas ao departamento de futebol do Palmeiras. Seguindo na contramão do que a sua função dentro de campo deve ser, o atacante de 26 anos não marca um gol desde novembro do ano passado, mais precisamente no dia 30, daquele mês, quando o Flamengo empatou com o Goiás em 3 a 3 pelo Campeonato Brasileiro. Ao todo, foram 17 jogos sem balançar as redes dos adversários, muita coisa para um atleta cujo ofício é o de marcar gols.

Porém, como o futebol é uma ciência inexata (e por isso tão apaixonante), alguns aspectos contam a favor do atacante, revelado no ano de 2002 pelo Vitória, da Bahia. Obina é sem dúvidas é um jogador bastante carismático, e também não possui um histórico polêmico. Mostra que é o chamado jogador "bom de grupo" e demonstra alegrar os ambientes por onde passa. Prova disso é que ele era idolatrado enquanto jogou no seu clube inicial, no Nordeste, e após se transferir para o futebol carioca logo cativou a mais numerosa torcida do país.

O carisma de Obina junto a torcida flamenguista foi tão grande que a massa rubro-negra o transformou num personagem folclórico, ou melhor exemplificando, uma espécie de "Biro Biro do século 21". Em uma canção bem-humorada, a torcida do Flamengo em várias oportunidades no lendário estádio do Maracanã entoou um forte e uníssono "Obina é melhor que Eto'o", fazendo uma comparação com o famoso e conceituado centroavante camaronês Samuel Eto'o, ídolo no Barcelona, um dos grandes clubes da Espanha e também do planeta.

A comparação entre os jogadores, obviamente, não tem cabimento, mas acabou virando um hit não só na torcida flamenguista, mas também usada como brincadeira por todos os amantes do futebol. Sendo assim, o "mito Obina" estava criado. Mas o atacante teve bons lampejos de jogador brilhante. Durante suas passagens por Vitória e Flamengo, colecionou algumas ótimas exibições, marcava ocasionalmente gols muito bonitos e, o principal de tudo, parecia estar predestinado a fazer a festa da sua torcida nas partidas mais decisivas. Não foi apenas uma vez em que vimos Obina sair do banco de reservas em uma partida de final de campeonato e, ao entrar em campo, marcar o gol do título de sua equipe. No Flamengo este fato ocorreu por diversas vezes, tanto no Campeonato Carioca como no Brasileiro.

Motivo de chacota, a aposta da diretoria palmeirense pode sim vingar. E caso Obina tiver um início de passagem pelo clube paulista acima das expectativas, logo ele pode conquistar o carinho dos fanáticos e exigentes torcedores alvi-verdes, que sem dúvidas passarão a entoar, assim como já fizeram antes os flamenguistas, o coro idolatrando seu mais novo matador. Apelidos já não faltam ao atacante por parte da torcida palmeirense. "Barack Obina" e "O-Bi-na-Libertadores" encabeçam a lista de descontraídas alcunhas que o atleta já vem recebendo dos torcedores de seu mais novo time.

Coincidência ou não, o Barcelona, de Eto'o, disputa nesta quarta, contra os ingleses do Manchester United, a grande decisão da Liga dos Campeões da Europa, torneio europeu interclubes que premia seu campeão com uma vaga no Mundial de Clubes da FIFA, a ser disputado no final do ano em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Já o Palmeiras, de Obina, vem fortalecido na Copa Libertadores da América e é apontado como um dos favoritos. Assim como o torneio europeu de clubes, a Libertadores, versão sulamericana da competição, também cede ao campeão uma vaga no Mundial de Clubes.

Caso Barcelona e Palmeiras cumpram seus objetivos e conquistem seus respectivos torneios, as duas gigantes equipes provavelmente se encontrarão no Oriente Médio, no final deste ano, para decidir qual é o melhor time de futebol do mundo. E este duelo pode colocar frente à frente os dois atacantes. Neste hipotético cenário, caso Obina faça prevalecer a sua mística de marcar gols nas horas decisivas, nunca a música tão folclórica fará tanto sentido.


Foto: Raphael Falawigna/Terra

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Uma crise dos com tudo para os sem nada

ARTIGO




A fortaleza de uma família é sua casa, onde a janela com o azul cintilante da televisão e o pão de forma sobre a mesa mostram que ali vivem pessoas com suas histórias, alegrias e tristezas. Um chão coberto de entulhos, móveis quebrados, papéis, possíveis fotos que relembram momentos importantes de uma família que foi obrigada a se retirar e ir para “Deus sabe lá onde” poder dormir, acolher os filhos, reconstruir a vida. O motivo: uma economia que visa o lucro que não tem limites, é formado pela ganância dos ricos que querem ficar mais ricos, um sistema econômico que não agrega, mas separa.

A foto vencedora do World Press Photo Fundation sintetiza essa ruptura, esse estrago ocasionado pela crise econômica. De forma humanizada, longe dos números vermelhos de Wall Stret e seus acionistas que estão acostumados a ganhar e nunca a perder. A foto mostra uma lacuna. Um abismo entre os que perderam milhões que não farão falta e aqueles que perderam a razão de viver. Como explicar para um filho que ele não pode ter uma casa, como os amiguinhos da escola, porque seu pai não possui dinheiro? Pergunta simples, mas com uma resposta que dá um nó na garganta e faz os olhos se encherem d’água.

A foto traz referência a postura do Estado de – ao enviar um policial para checar se realmente não existe mais ninguém na residência – dar socorro aos já ricos e manipuladores bancos e não diretamente às família que foram obrigadas a viver sem perspectiva, sem trabalho e sem casa. Um situação que contradiz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tão defendida – em pronunciamentos e em filmes hollywoodianos – pelos americanos, mas que na prática, não é respeita por nenhuma nação. Todos têm direito à um lar, a declaração afirma pontualmente. Mas isso é seguido?

Como visto, a foto traz um discussão muito além – e mais importante – do que o discurso econômico, mas escancara um sistema discriminante. Não precisa de cores. A foto em preto e branco, uma das características do autor, Anthony Suau, sintetiza a crise porque ela é fria, não tem a cor da vida. Possivelmente, o fotógrafo se sentiu como que entre os destroços de uma guerra, como a invasão dos Estados Unidos no Iraque. A foto mostra que o policial busca um tipo de “terrorista” (aos olhos dos poderosos): uma pessoa sem dinheiro. Passarinho comum mas pouco importante no ninho quando não consome e não paga suas contas.

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Acordar para a Vida

CINEMA



Discutir a vida, em todas as suas facetas – das relações amorosas à morte -, é uma das atividades mais praticadas, mesmo que não tenhamos a mínima noção de sua presença. Andando na rua, observando as pessoas ou o nada. Não pode nenhuma pessoas levantar a mão, estufar o peito e dizer: “Nunca me questionei sobre a vida!”. Parecem que algumas pessoas preferem viver na inércia, mas mesmo essas medrosas perante às dúvidas e acomodadas nas explicações de qualquer um ou do consenso, param e refletem.

O filme “Waking Life” traz toda essa reflexão numa avalanche de pensamentos. Do personagem principal, um jovem caminhando na linha que separa a realidade do sonho (e muitas vezes sem saber para qual lado está mais caído), aos personagens que este encontra caminhando pela rua, tendo devaneios, tentando ou não apagar a luz de um interruptor. Aliás, a técnica de mexer do interruptor é dada no filme como forma de saber se tudo o que você está passando é um sonho/pesadelo ou realidade. Se você conseguir apagar a lâmpada, está na no segundo, caso contrário, está sonhando.

A filosofia tradicional permeia os pensamentos explícitos no filme. Os personagens não têm receio de falar sobre os seus próprios pensamentos, dos mais desvairados, ao consagrados por filósofos como Sartre e seu existencialismo.

Mas essa discussão não está somente em livros empoeirados. Está na nossa vida cotidiana. O que o filme narra é uma aventura na mente complexa – e qual não é – de um jovem. Nossa vida é permeada por esses pensamentos avulsos e conectados, colados ou como elétrons descontrolados, de pensamentos de história da Carochinha aos da mãe e do pai que sabem tudo quando somos criança.

Na verdade, quando nos questionamos sobre a vida, mais comum na fase da adolescência, parece que perdemos o chão, caídos sem proteção. Somos tomados por uma crise, uma bem maior que as econômicas que assolam por aí e se transformam em pesadelo para alguns bilionários sem dinheiro.
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O personagem principal do filme “Waking Life” traz a tona essas discussões. Ora quer repudiá-las, ora, compreendê-las. Do cinema à violência, da objetividade à subjetividade, do sonhador ao personagem sonhado. Parece de uma pertinência incrível essa discussão, e mais do que isso, ter a coragem – tão necessária – para revelar essas dúvidas para o mundo, mesmo que os olhos dos amigos tragam uma desconfiança de insanidade. Afinal, é taxado de louco que pensa porque existe. Nossa sociedade está programada para viver por viver, sem saber por que vive.
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A discussão torna-se tão importante que todas as outras linguagens do filme viram secundárias. O cenário, por exemplo, se mexe constantemente e você não consegue ter um ponto fixo, logo, presta muito mais atenção do que está sendo dito e não naquilo que é mostrado. Aliás, o filme trabalha com uma linguagem visual que fica no meio termo entre o real e o desenho. Traços cubistas e impressionistas entrelaçados, um abraço entre as obras de Picasso e Monet. Uma lindíssima expressão tão inovadora que choca à primeira vista. Mas não é para isso mesmo?
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Com um “ser ou não ser” shakesperiano modernizado, o filme mostra o ser humano vagando entre a realidade e a imaginação. Dúvidas que cabem no ciumento Bentinho, de “Dom Casmurro” de Machado de Assis; a busca de querer realizar os desejos secretos e ser amada de Luiza, em “O primo Basílio” de Eça de Queiroz, ou na dona de casa insatisfeita de “Foi apenas um sonho”; de virar um inseto, como na obra de Franz Kafka. Ou seja, questões que se apresentam só pelo simples fato de se viver.

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Carro popular, literalmente!

AUTOMÓVEIS

O que deveria ser realidade aqui no Brasil está virando fato concreto na Índia, pelo menos no setor automobilístico. O grupo local Tata Motors, bastante conhecido por aquelas bandas, lançará oficialmente no final de março o que será "considerado o carro mais barato do mundo". A informação foi dada nesta quinta-feira por um porta-voz do grupo.

Com previsão de lançamento no próximo dia 23 de março, o Nano (foto ao lado), batizado como "o carro do povo", custará a bagatela de US$ 2 mil para os indianos. convertendo para as nossa cifras, o valor chega a modestos 4,6 mil reais. Para efeito de comparação, seria mais barato que uma moto popular do nosso mercado. Claro que todo esse preço competitivo implica em coisas pouco grandiosas. O motor a gasolina possui apenas 654 cilindradas. O conhecido carro 1.0 brasileiro, o chamado "carro popular" daqui, possui uma cilindrada em torno de 1000 centímetros cúbicos, quase o dobro do Nano.

O Nano custará apenas 4,6 mil reais. Cinco vezes mais barato que nosso carro mais em conta.

O motor também não esbanja potência. São apenas 33 cavalos. Ou seja, não se pode esperar deste modelo um desempenho satisfatório em uma rodovia. Fica mais do que claro que o grande trunfo do Nano é o uso no dia-a-dia das dos perímetros urbanos. Equipamentos de luxo? Nem pensar! A versão básica não possui ar-condicionado, nem vidros elétricos, tampouco a confortável e prática direção hidráulica. Mas a favor da praticidade conta o fato do carro possuir quatro portas e espaço para cinco ocupantes.

Mas calma! Para você que é mais fominha e quer mais conforto e luxo, existem versões superiores, que devem contar com dois limpadores de pára-brisa, vidro elétrico, direção hidráulica e ar-condicionado, itens indispensáveis para os indianos enfrentarem o forte e úmido verão da região. O motor também será um pouco mais potente que o da versão básica.

Claro que, quando falamos de um carro um preço tão acessível e com apelo tão popular, não devemos levar tão em conta sua aparência e nem seus equipamentos de série. Por isso o Nano veio para cumprir um ótimo papel, que é o de dar condições às camadas sociais indianas mais pobres a adquirirem um meio próprio de transporte.

Enquanto isso, aqui no Brasil, nosso carro mais barato é o conhecido Fiat Uno Mille, que entrega o mesmo "luxo" por assombrosos 22.554 reais. Isso é um carro popular? Nem aqui, nem na Índia...

foto: AFP

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Para honrar o slogan...

NOTÍCIAS, CULTURA E... INUTILIDADE!

E aí o papai leva o filhinho no dentista. O menino precisa de pontos e por isso toma uma anestesia forte. Beeeeeem forte.



Fica como mensagem de incentivo - até uma anestesia pode ter um lado bom! Nem sempre pra você que tomou, mas pode ter.

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Entrelinhas

CRISE

No domingo, dia 1º desse mês, a Folha de S.Paulo pubicou no caderno Dinheiro reportagens sobre a crise e o mercado de trabalho. Segundo os textos, o perfil predominante dos desempregados é de jovens, em sua maoiria mulheres (informação super animadora para mim). As mulheres representam cerca de 58,1% das pessoas em busca de assinatura na carteira de trabalho.

Relacionando o tal do incomodante desemprego com a crise, Cimar Azeredo Pereira, que é gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, disse em entrevista ao jornal que os impactos da crise sobre o mercado ainda não estão claros.

Enfim, o que me chamou a atenção foram as propagandas das redes de TV nesse mesmo caderno. A Rede Globo pagou meias páginas em várias posições estratégicas do caderno para falar sobre a sua soberania na audiência nacional e sobre o reconhecimento que a empresa tem como maior rede televisiva do país. Em contraposição, o SBT pagou uma página inteira, a última do cadermo, para uma mensagem de "incentivo"´, transcrita aqui:

"O pior efeito de qualquer crise é o pessimismo. Ele barra novos investimentos, impede contratações, traz incertezas, tudo que só faz a situação ficar ainda pior. E ser otimista, em um momento assim, não significa ser irresponsável. Significa conhecer a própria força e competência para superar as dificuldades, além de colocar tudo isso em prática. O Governo toma medidas que ajudam a fortalecer a economia e mostram a força do país em momentos conturbados. E nós, do SBT, também estamos fazendo a nossa parte. Acreditando que a crise fica menor quando a gente trabalha mais e reclama menos."

É isso aí. A Plim Plim exaltou seus produtos e a rede do Baú exaltou o país. Cada uma defendendo seus interesses. Entrelinhas.


*Não está pensado como crítica, apenas apontado para reflexões.

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Mais uma sacada genial

ASSASSINANDO A LÍNGUA

Esse aí é (mais) um dos retratos da criatividade brasileira!


Mergulhando de cabeça

PESQUISAS DE FÉRIAS

As férias estão acabando, e vão levando com elas bons momentos de lazer. Amigos, churrasco, piscina... mergulhos. Sempre tem aquele amigo que "se joga de cabeça" na piscina.
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Mas é exatamente aí que está o perigo: no Brasil, o chamado mergulho em águas rasas é a quarta causa de lesão medular. Médicos e pesquisadores concluíram que as lesões acontecem mais frequentemente entre jovens de 10 a 25 anos, sendo que 99% das vítimas são homens. Mergulhos em piscinas, rios, lagos e até mesmo no mar são a segunda causa de traumatismo na medula espinhal.
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As pessoas se preocupam com possíveis afogamentos, mas se esquecem de observar possíveis pedras ou até mesmo a profundidade inadequada para um mergulho. Durante o verão, o Grupo de Coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP até 60% de lesões neurológicas originadas por esse tipo de mergulho.
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É uma brincadeira divertida, porém bem perigosa.

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Conflito não mostra sinal de trégua

IRAQUE - PALESTINA

Fonte: Globo.com

Obama é a notícia do século

IMPRENSA


Uma pesquisa realizada pela Global Language Monitor e divulgada no final de 2008 afirma que Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos é a grande notícia neste século. “Obama não tem precedentes. Ele cativou o mundo”, disse o presidente da entidade responsável pelo estudo, Paul Payack.
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Obama teve cerca de 750 mil citações antes mesmo de ser escolhido como o candidato do partido democrata, quando ainda lutava pela indicação com Hillary Clinton.
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Ao todo, o futuro presidente norte-americano, cargo que o tornará o homem mais poderoso do planeta, foi tema de cerca de 250 milhões de notícias, mais do que a guerra do Iraque, que teve início em março de 2003, ataque ao World Trade Center, em 2001, e a morte do Papa João Paulo II, em 2005.

foto: barack-obama.tv

Mais uma de Amy Winehouse

LONGE DA "REHAB"

Um escândalo aqui e ali. A cantora britânica parece que não se preocupa mais em causar polêmica mundo afora. A da vez foi o topless no Caribe. Amy, um dos grandes talendos da década, está passando um temporada nas praias depois de um período de recuperação em uma clínica para drogados.

Vejam as fotos da cantora no Caribe e abaixo, também, o clip da música "You Know I'm No Good "



fotos: sem crédito, do site EGO.

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Madonna canta "Candy Shop" ao vivo em São Paulo




Madonna faz hoje seu último show da turnê "Sticky & Sweet" em São Paulo.

Sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022 serão anunciadas juntas

FUTEBOL


Logo da Copa do Mundo no Brasil, sede anunciada em 2007

A sede da Copa do Mundo de 2014 nós já sabemos: Brasil. Mas e a de 2018? E 2022?

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, anunciou ontem em uma coletiva de imprensa, no Japão, local da decisão do próximo título de clube campeão do mundo, que as sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022 são decididas juntas no final de 2010, ano da Copa na África do Sul, a primeira no continente africano.

Por serem as sedes das duas próximas edições, a América do Sul e a África não poderão concorrer à sede de 2018. O mesmo ocorre com a mesma América do Sul e a sede do mundial de 2018 concorrer para 2022.

Entre os países com grandes chances de receber a competição, Blatter destacou a Inglaterra, que receberá os Jogos Olímpicos em 2012, em Londres, Espanha, México, Estados Unidos e Canadá, esses três últimos representando a América do Norte e Catar, Japão e China para a Ásia, que recebeu a Copa 2002, primeira vez disputada em dois país, na ocasião Correia e Japão.

Fica a expectativa.

Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Beckham chega ao Milan

ITÁLIA

O Milan ganhou mais um reforço esse sábado, o inglês que veste a calcinha da mulher, a ex- Spice Girl Victoria Adams. Sim, ele mesmo. David Beckham, que foi emprestado pelo Los Angeles Galaxy para o time italiano por três meses, ou seja, quase toda a fase final do Scudetto.

O jogador fica com a camisa número 32 do time. "Perguntaram-me se esse era o número que eu gostaria, e lembro-me de terem me oferecido essa mesma. Mas fiquei feliz com ela", disse durante a coletiva de imprensa da apresentação no San Siro.

A estréia deve ser no dia 11 de janeiro contra a Roma e Beckham fica até o dia 9 de março, um mês antes do início da temporada norte-americana. Porém, o Milan não esconde que se depender do resultado do jogador, tentará estender a estadia dele em Milanello até junho.

"Eu amo a Itália e estou muito contente por estar aqui. Vou repetir e deixar isso bem claro. Já atuei no Manchester United, Real Madrid e agora tenho esta excelente chance de estar no Milan", disse o jogador que será apresentado aos torcedores neste domingo antes da partida do time com a Udinese, em San Siro. Depois, na segunda-feira, embarca para Los Angeles e volta dia 29 para participar da concentração do time no retiro de inverno em Dubai.
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foto: Giuseppe Cacace

Brasil é país que mais baixa música na web

INTERNET

Quem de nós, usuários da rede, que nunca baixou uma música que seja da internet?

Uma pesquisa recente revelou que o Brasil é o país no qual as pessoas mais baixam música pela web. A pesquisa foi feita de forma online pela Nielsen com 26 mil pessoas em setembro. O país ainda ocupa a segunda posição quanto a baixar conteúdos diversos, ficando atrás apenas das Filipinas.

As Filipinas ainda ficaram com o maior índice de freqüência do uso de diversos eletrônicos, desbancando 52 países analisados. Klaas Hommez, quem supervisionou a análise, destacou o fato de que nos países asiáticos a maior parte da população anda de transporte público e os governos da China e Cingapura, por exemplo, expadirem o acesso à banda larga e aumentar a disseminação de tecnologias móveis.

A pesquisa revelou ainda que Brasil, Rússia, Índia e China são os campeões regionais quando o assunto é download de conteúdo.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Concurso do cão!

CURIOSIDADE

Quem disse que concursos malucos e bizarros só acontecem no exterior? Pois o Brasil parece estar aderindo à moda. Ontem (14), no Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi realizado um concurso de fantasias, com o tema "Boas Festas", já que as festas de final de ano estão cada vez mais próximas. Até aí tudo bem, afinal, um concurso de fantasias não tem nada de estranho.

Ao melhor estilo Mamãe Noel, a yorkshire Vida foi a vitoriosa entre as fêmeas, com direito a troféu e tudo mais!

Não teria nada estranho se os fantasiados em questão fossem seres humanos, ao invés de cachorros! Cerca de 50 cães participaram da campetição, e foram julgados por uma comissão que escolheu as 20 melhores fantasias. Na categoria macho, o primeiro lugar ficou com o staffbull Jeep. Ja na fêmea, a grande vencedora foi a yorkshire Vida, que apareceu vestida de Mamãe Noel (quanta originalidade, não!).

O evento foi organizado pelo adestrador Denizard Baldan, e arrecadou brinquedos e alimentos para doação ao Instituo Brasileiro de Reeducação Motora (IBRM). Além disso, a festa também contou com arrecadação de rações e produtos para a ONG Anida, que cuida de cães e gatos abandonados no Rio de Janeiro.

E este é o Jeep, que venceu com este vestuário a categoria macho

A premiação foi sofisticada, com os vencedores recebendo troféus personalizados e kits de produtos, sendo animados por um Papai Noel. Quem disse que a cachorrada não ganha presente de Natal também né...

fotos: Divulgação

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Documentário "Ilha das Flores"

RECOMENDAMOS

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

"Deus te abençoe"

CRÔNICA

“Bênção”, a criança fala. “Deus te abençoe”, o adulto reponde. Coisa de interior, como dormir cedo e acordar com as galinhas. Confesso que até um tempo atrás, não me importava para essas coisas. Acredito que, quando criança, eu tinha muito outras inquietações e preocupações (tarefa da escola e correr pela rua, para exemplificar). Mas para meu avô paterno, a história mudava. Quando ia para a escola com uns oito anos de idade e passava na frente da casa dele, sentado na calçada, ele conversava coma alguns vizinhos. “Bênção, vô!”, eu dizia. “Deus te abençoe”, meu avô correspondia. Uma de minhas primas, numa conversa há tempos atrás, assumiu que nessa hora, para ela, sobrava até umas moedinhas. Sapeca como qualquer criança, ela aproveitada a visão deficitária dele para trocar, sempre que podia, um moeda de 50 centavos por uma de um real. E corria em direção ao bar comprar balas. Para mim, não precisava mais que aquele cumprimento. Para meu padrinho, acredito que posso contar nos dedos de uma só mão as vezes que “pedi a benção”.

Mas por que me peguei pensando nessas coisas de uns tempos para cá? Agora sou padrinho. Aquela coisa de responsabilidade, coisa e tal. Alguém do contra poderá dizer: Mas tudo isso por causa de ser padrinho? É. Sei que para algumas pessoas pode não ser uma das maravilhas do mundo ter uma afilhada, mas para mim a vida ganhou mais vida (se isso é possível). Mas é assim sempre: existem os gregos e os troianos.

É incrível como com o passar dos anos mudamos nossas idéias e começamos a dar mais importância para algumas coisas e a tirar de outras. Como querer impressionar alguém na escola que, hoje, nem lembramos o nome e lembrar daquelas pessoas que não nos importávamos muito.

Quando meu avô faleceu, no auge de seus oitenta e um anos, pensei que possivelmente jamais ouviria alguém pedindo bênção. E confesso que depois daquele mês de novembro de 1995, não me recordo de ter escutado mesmo. Para mim, meu avô se foi e com ele essa prática. A cidade foi se transformando e as crianças também. Elas preferem passar horas a frente do computador a conversar com algum parente mais velho. Aliás, outra frase que escutava muito quando eu ainda era criança, daqueles que sonham em ser bombeiros (nunca jornalistas, já perceberam isso?): “Tenha respeito com os mais velhos”. Essa frase também era muito usada pela minha irmã; apenas dois anos mais velha. Creio que ela falava nisso só para escapar de uma briga ou deixar prevalecer a sua vontade.

Hoje, com as tragédias que cansamos de assistir nas TVs, como tantas crianças sendo mortas e outras coisas que infelizmente lemos nos jornais, ainda me sinto como aquele menino adorava vestir o uniforme do Corinthians e que, hoje, não vê a hora de escutar um “Bênção, padrinho”.