quinta-feira, 6 de novembro de 2008

"Como é que é?"

NOMES
Adalex mostra com orgulho seu RG; nome incomum é diferencial para ele
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"Adalex? É nome de remédio, não é?" Esse é o slogan criado pelo estudante Adalex Souza. O nome diferente foi escolhido por um amigo de sua mãe. “Ele gostava de sugerir nomes diferentes, inclusive dos familiares dele”, explica. Porém, nomes assim, alguns até tidos como ridículos podem afetar a vida social de uma pessoa.

Segundo a psicóloga Ana Paula Rizzato, o portador de um nome que possa gerar “brincaderinhas” pode despertar um sentimento de inferioridade, principalmente na fase da adolescência, na qual o jovem busca identificação nos grupos que participa. “Dependendo de como é tratado e aceito por cada indivíduo, o nome pode incomodar a tal ponto que contribuirá para desenvolver a baixa auto-estima”, complementa a psicóloga.

Desde 1973, entretanto, a Lei dos Registros Públicos legitima o oficial do cartório a não registrar nomes que possam expor ao ridículo os seus portadores. “Caso os familiares não se conformem com essa recusa, é necessário que solicitem ao oficial que encaminhe a decisão para o Juiz Corregedor Permanente da Serventia (cartório)”, explica Rodrigo Feracine Álvares, Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais de Amparo, SP. Através de um procedimento administrativo, há a manifestação do juiz de aceitar ou não o registro com determinado nome.

Para aqueles que foram registrados com nomes estranhos, a lei prevê a alteração. No primeiro ano após ter completado 18 anos, o interessado pode alterar seu nome, mas desde que não prejudique seu sobrenome. De acordo com Álvares, a alteração também é feita de forma administrativa. Após esse período de um ano, qualquer alteração deverá ser feita através de processo judicial. A decisão, nesses casos, fica nas mãos do juiz.

O estudante Adalex não esconde que já pensou em alterar o nome. “Incomoda-me ter sempre que repetir meu nome, ou aquela coisa da pessoa dizer: ‘’Poxa, como é mesmo seu nome? É um nome estranho, né?’. Mas, na verdade, eu sou daqueles que procura sempre ver o lado bom de tudo, então aproveito a excentricidade do meu nome para criar meu marketing, por isso cunhei o jargão”, complementa.
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FOTO: Adilson Jorge

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Roteiro de cinema

FÓRMULA 1 - INTERLAGOS 2008


Certa vez, me disseram que o automobilismo não pode ser um esporte excitante. Afinal, "como pode haver graça em ficar vendo um bando de pilotos seguindo uns aos outros e dando giros no mesmo lugar durante mais de uma hora"? A prova que desmente tal teoria foi a tarde do último domingo, no qual milhões de brasileiros pararam para apoiar seu mais novo ídolo: Felipe Massa.

Olhar para a televisão e ver o belo circuito de Interlagos, completamente lotad
o de torcedores gritando o nome de Massa, e fazendo uma festa incomparável, realmente foi de arrepiar, lembrando até os emocionantes domingo nos quais a nação brasileira parava para torcer pelo nosso querido e saudoso Ayrton Senna. O que vemos agora é um sentimento igual da nossa população, a de ter encontrado seu novo ídolo no automobilismo. E isso não veio à toa. Felipe Massa conquistou o carinho dos brasileiros, graças a sua evolução tanto dentro e fora das pistas. Mais centrado, tanto dentro como fora das pistas, o piloto mostrou uma evolução impressionante em relação ao ano passado. Para não restar dúvidas da popularidade dele, o reconhecimento dos torcedores pelo seu esforço, mesmo que não tenha conseguido ganhar o título, já diz por si só.

Mas a verdade é que todo o desenrolar da prova decisiva da temporada 2008 da Fórmula 1 foi de fazer inveja até a Steven Spielberg. O script parecia ter sido feito sob medida manter o suspense e a ansiedade do primeiro ao último segundo das 71 voltas da corrida. Primeiro, veio o famoso "pé d'água" paulistano, faltando apenas dois minutos para a largada. Uma chuva, rápida e forte, suficiente apenas para lavar o autódromo. Tinha de rápida, afinal, ela teria que ser a coadjuvante do roteiro, pelo menos por enquanto...

Após perder um titulo praticamente ganho em 2007, Lewis Hamilton ganhou de forma emocionante o campeonato desse ano

Com pneus de chuva intermediária, os pilotos largaram. E o que vimos foi uma guerra tática. Massa fazia sua parte, mantendo a liderança e guiando firme rumo à vitória. Mas isso não bastava apenas, ele precisaria vencer e torcer para Lewis Hamilton ser no máximo sexto colocado. O piloto inglês da McLaren fazia uma corrida aparentemente tranqüila, embora sem brilho, mas que era suficiente para lhe dar o tão sonhado título que escapou de forma incrível no ano passado. O quarto lugar que ele ocupava era bastante confortável.

A chuva rodeava o circuito, mas não caía. Os pilotos já estavam de pneus de pista seca, e a corrida continuava num desfecho tranqüilo para Hamilton, já a poucas voltas do final. Mas o imponderável veio a sete voltas do encerramento. A chuva voltou, e dessa vez para se tornar o personagem principal da corrida. Não era uma chuva forte, mas o suficiente para levar quase todos os pilotos (incluindo Massa e Hamilton) para os boxes, para colocar pneus intermediários. Quase todos!

A Toyota, com seus pilotos Timo Glock e Jarno Trulli, resolveu dar uma cartada arriscada, preferindo deixar seus pilotos na pista, com pneus de pista seca, apostando que a chuva não apertaria. Sem a parada de Glock, Hamilton caiu para o quinto posto, no limite do que ele poderia chegar para ser campeão. Só que aí apareceu um jovem piloto, Sebastian Vettel, e mostrou porque tem pinta de um futuro campeão mundial. O piloto sensação da temporada aproveitou a chuva e um vacilo de Hamilton para ultrapassá-lo e garantir momentaneamente o título de Massa.

Interlagos foi à loucura! Os torcedores nas arquibancadas não se continham, assim como os milhões de telespectadores por todo o Brasil. Massa guiava com todo o cuidado na última volta, a parte dele estava cumprida. Ao cruzar a linha de chegada e vencer a corrida, ele era campeão. Restava agora aguardar e torcer para que o incrível Vettel se mantivesse a frente de Hamilton. E foi o que aconteceu. Mas o que poucos esperavam era que a chuva apertasse, e Glock, com seus pneus de pista seca, não tivesse condições de segurar quem vinha atrás. Perdeu muito rendimento, e não conseguiu evitar a ultrapassagem de Hamilton...na última curva do circuito!

Hamilton ultrapassa Glock na última curva da corrida, e ganha o título "nos acréscimos do segundo tempo"

Massa foi campeão por menos de um minuto. O clima de frustração nas arquibancadas e nos boxes da Ferrari foi geral. Como poderia um título ser perdido faltando aproximadamente 500 metros? A verdade é que Felipe foi impecável durante todas as voltas, e fez por merecer toda a vibração da torcida. Fez sua parte, mas tinha de contar com o quase impossível, que por poucos segundos se tornou realidade. Mas fica claro que o título não escapou na última curva, e sim durante o ano, nas trapalhadas da Ferrari (e em alguns erros dele também, coisas normais do esporte). Dizer que o título de Hamilton não foi merecido também não é justo, pois ambos os pilotos tiveram seus altos e baixos na temporada, cometeram erros e acertos, mas brigaram até o fim pelo título.

Parabenizar os dois pela brilhante campanha no campeonato seria dizer algo meio batido. Mas parabéns aos dois pilotos por fazer do automobilismo um esporte apaixonante e emocionante. 2009 reserva novas emoções...

foto 1: Mark Thompson/Getty Images
foto 2: Bruno Terena/Grande Prêmio
foto 3: Bruno Terena/Grande Prêmio