quinta-feira, 1 de maio de 2008

Senna: 14 anos sem o herói das manhãs de domingo

FÓRMULA 1 - ESPECIAL
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O dia 1º de maio, conhecido como o Dia do Trabalhador, é comemorado em todos os cantos do planeta. E, há exatos 14 anos, o Brasil perdia um de seus mais adorados e ilustres trabalhadores: Ayrton Senna da Silva. Um homem, que além de uma rara competência no que fazia nas pistas mundo afora, cativava a todos os fãs da Fórmula 1 e aos milhões de brasileiros, que acordavam em todas as manhãs de domingo ou nas madrugadas para torcer pelo herói nacional.
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Então menino (aos 4 anos de idade), Senna, que tinha o apelido de "Beco", ganhou seu primeiro kart, construído pelo próprio pai. A partir daí começava a despertar a paixão pela velocidade, que anos mais tarde se transformou em glória e sucesso para o brasileiro. Após alguns anos no kart, Senna foi trilhar o conhecido caminho de quem sonha em chegar à Fórmula 1: mudou-se para a Europa, buscando um lugar em uma categoria menor.

Com o apoio do amigo Chico Serra, Ayrton conseguiu um contrato com a Van Diemen, tradicional equipe da Fórmula Ford na Inglaterra. O ano foi fantástico! O jovem piloto destruiu a concorrência e ganhou com sobras os títulos que disputou naquele ano de 1981, quebrando o recorde de vitórias numa mesma temporada. No ano seguinte, foi campeão no mesmo país da Fórmula 2000.

Em 1983, Senna subiu mais um degrau na carreira, disputando a Fórmula 3 Inglesa, o que poderia ser o último passo rumo a tão sonhada F1. Depois de muito esforço e uma acirrada batalha contra Martin Brundle durante a temporada, Ayrton se tornou campeão e, com isso, passou a chamar a atenção de algumas equipes da categoria máxima do automobilismo. As poderosas Williams, McLaren, Brabham e a mediana Toleman ofereceram testes para avaliar o desempenho do brasileiro.
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Senna foi acima da média e espantou a todos que estavam presentes no seu treino com a Williams. Quebrou o recorde da pista de Donington Park em poucas voltas, mas mesmo assim a equipe de Frank Williams não ofereceu uma vaga de imediato para a temporada de 1984. A McLaren ofereceu um contrato para 1985, e na Brabham, Nélson Piquet se opôs a contratação do seu compatriota.
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Determinado a correr logo em 1984, Senna não teve dúvidas e aceitou a proposta da Toleman, a única a lhe oferecer uma vaga para aquela temporada. Logo todos viram que ele era um piloto de futuro e começou a conseguir alguns pontos no campeonato, o que era um fato notável, visto que a Toleman era uma equipe pequena. Mas a grande demonstração de habilidade de Senna viria no controverso GP de Mônaco daquele ano. Sob uma chuva torrencial desde a largada, o brasileiro não tomava conhecimento dos rivais e foi ganhando posições, até atingir um inacreditável segundo lugar. Quando estava próximo de ultrapassar o então líder Alain Prost, a direção da prova resolveu terminar a corrida, alegando falta de condições de segurança no circuito, o que gerou muita reclamação e ainda é assunto discutido até os dias de hoje.
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Com a Lotus, Senna conseguiu sua primeira pole e vitória no GP de Estoril de 1985

Com os bons resultados, Senna conseguiu uma vaga na Lotus para o ano seguinte. E com o famoso time inglês veio a primeira vitória e pole position da carreira, no também chuvoso GP de Portugal, onde ele deu um show de pilotagem e terminou a corrida com uma vantagem de mais de um minuto para a Ferrari de Michele Alboreto, segundo colocado.

Senna permaneceu na Lotus até o fim de 1987, quando acertou a sua ida para a forte McLaren, para fazer dupla com Alain Prost, com quem teve várias disputas dentro e fora dos circuitos. O ano de 1988 se revelou mágico para a McLaren. Com um carro sem dar chance aos oponentes, a equipe venceu 15 das 16 provas do campeonato e teve uma disputa extremamente forte dentro da equipe para o título de pilotos.

Mesmo sendo mais inexperiente que Prost e novo na equipe, Senna foi reagindo ao longo do ano e, numa performance memorável na corrida do Japão, onde teve problemas na lergada e caiu para o 16º lugar, ganhou a corrida e de quebra faturou o seu primeiro título na Fórmula 1. Um herói estava nascendo, e com ele, o povo brasileiro se tornou ainda mais apaixonado pelo automobilismo, que já curtia as vitórias do tri-campeão Nélson Piquet.

Já na McLaren, o piloto brasileiro conquistou em 1988 seu primeiro título mundial

Em 1989, a briga entre Senna e Prost não se resumiu apenas nas curvas das pistas, mas também nos bastidores. E na decisão do título no Japão, o brasileiro venceu e adiou a briga pela taça, mas minutos depois da bandeirada teve sua vitória anulada pelo cartola Jean Marie Balestre, que alegou que Senna tinha cortado caminho para voltar à pista após um acidente causado propositadamente por Prost. Resultado: Prost foi campeão, mas o sentimento de injustiça pairava sobre os brasileiros e o mundo do automobilismo.

No ano seguinte, Prost foi para a Ferrari, mas ambos os pilotos continuaram travando uma acirrada disputa. Dessa vez deu Senna, que também no Japão, deu o troco no rival francês e ficou campeão após um acidente entre eles na largada. A vingança estava completa, e Senna havia dado a volta por cima, faturando o bi e se credenciando como grande favorito para o ano seguinte.
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Na temporada de 91, a pedra no sapato de Ayrton não foi Alain Prost, mas sim um rápido inglês chamado Nigel Mansell, pilotando uma Williams. No começo do ano, Senna foi avassalador e ganhou as primeiras quatro corridas, entre elas o GP do Brasil, sua primeira vitória em casa, após correr as últimas voltas apenas com a sexta marcha de seu carro. Porém, com o passar das corridas, Mansell e sua Williams foram reagindo e davam sinais de que eram superiores, equilibrando o jogo. Ainda assim, Senna chegou na corrida do Japão e contou com uma rodada do afobado Mansell para garantir o tri e se eternizar na história da F1.

Mas mesmo com o título, a Williams dava sinais de que seria melhor em 1992 e mostrou ao mundo uma máquina fenomenal. Mansell dominou a tudo e todos com seu carro "perfeito" e ganhou com extrema facilidade o título. Senna nada pode fazer e venceu apenas três corridas, terminando o ano na quarta posição no campeonato.

Ayrton Senna comemora a sua fantástica vitória em Donington Park, em 1993

Prost voltou da aposentadoria em 93 e tomou o lugar de Mansell na Williams, que havia ido para a F-Indy. Mesmo com um carro muito inferior, Senna deu um show, vencendo com maestria os GPs do Brasil e de Donington Park. Num total de 5 vitórias no ano - considerado por muitos como o melhor de sua carreira, pois havia mostrado ao mundo do que era capaz - Senna se despediu da McLaren vencendo a prova final da temporada, na Austrália. Esta foi a última vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1.

Para 1994, o brasileiro havia finalmente conseguido realizar o seu desejo de correr pela Williams, assinando um contrato com o time inglês. O começo de temporada foi difícil, com dois abandonos nas duas primeiras provas. Até que chegou o GP de San Marino, em Ímola. Um dia antes da morte de Senna, todos já haviam ficado transtornados e abalados com a morte de Roland Ratzenberger, piloto da Simtek, que bateu violentamente seu carro no muro e faleceu instantâneamente no treino classificatório.
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O carro de Senna após o trágico acidente que lhe tirou a vida no dia 1º de maio de 1994

Senna, que havia assegurado a pole, estava visivelmente abalado com a tragédia. Estava sempre com a cabeça baixa, quieto, demonstrando certa desilusão com a situação. Parecia prever alguma coisa de errado. Ao abrir a sétima vota da corrida, o carro de Senna passou estranhamente reto na curva Tamburello e bateu violentamente no muro. Poucas horas depois do atendimento médico foi anunciada a morte de Ayrton Senna, que não resistiu ao violento choque. Era o fim da história do gênio das pistas.

O mundo estava em lágrimas, chorando a morte do ídolo, que parecia muitas vezes imortal na visão do povo brasileiro. Senna parou o mundo, e com sua partida deixou conosco as lembranças das vitórias e das lições de um esportista, que até hoje é referência tanto para o senhor de idade que acompanha as corridas, quanto para o garotinho que gosta de carros e sonha algum dia em ser pelo menos um pouco do que Senna foi nas pistas: modelo de atleta e exemplo de perseverança e competência. Diz a lenda que o grandes heróis morrem cedo, e Ayrton Senna da Silva foi um deles. Mas sua lembrança ainda está viva por todo o planeta!

5 comentários:

Tito disse...

Cara, cresci torcendo pelo Ayrton. Vibrei com suas vitórias, fumei JPS por causa do seu carro preto da Lótus e chorei com sua morte. A F1 nunca mais foi a mesma para mim.
Parabéns pela homenagem!

Adilson Jorge disse...

Ayrton Senna era muito mais que um piloto. Era a alegria de uma nação que estava mergulhada em escandalos, crise financeira com diversas trocas de moeda, anos e mais anos sem conquistar uma Copa do Mundo, coisa que depois de 1970 só voltou a acontecer no ano de sua morte, entre tantas outras coisas.

Não é estranho, então, que o Brasil amou tanto uma pessoa como aconteceu com o Senna. Exemplo de profissionalismo e de caráter. O moço tímido que emocionava crianças e adultos.

O "Tema da Vitória", aquela musiquinha tão conhecida, é capaz de emocionar ainda hoje. A banderinha do Brasil tremendo com a velocidade ... É incrível como tenho admiriração por Ayrton, mesmo tendo apenas sete anos quando ele morreu. Lembro-me, ainda hoje, do que estava fazendo naquele triste 1º de maio.

O Brasil perdia o irmão mais velho das crianças e o filho exemplar de qualquer adulto. A F1 nunca mais foi a mesma, como disse o comentário do Tito acima.

Raoni, parabéns pela matéria. Sempre dando show!

Mario Henrique disse...

saudades daquelas manhãs de domingo em q acordavamos já sabendo oq queriamos assistir..

SENNA CORRENDO! e sendo vitoriosoo ;D
grande orgulho nacional..um dos maiores, talvez O maior patriota q jah vi...

jamais sera esquecido!

se puder, visite e comente tbm:

http://esfiha-berta.blogspot.com

capinaremos@gmail.com (Marcos) disse...

Isso merece um link no Ueba, com certeza.

danisiinha disse...

nossa parece que foi ontem...
ele é eterno em nossos corações


www.daniilopes.blogspot.com