terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sucesso além mar de Tropa de Elite

CINEMA

Wagner Moura e Caio Junqueria, como Cap. Nascimento e Neto

A popularidade do filme “Tropa de Elite” ultrapassou oceanos e já ganhou também o cenário internacional. Maior fenômeno de pirataria da história brasileira, o filme dirigido por José Padilha é destaque na imprensa estrangeira por abordar a violência do Rio de Janeiro, a cidade mais procurada por turistas de fora do país.

Dois grandes jornais, o italiano “Corriere della Será” e o americano “The Washington Post”, reservaram espaço para debater o filme que, segundo estimativas, já foi visto por cerca de 11,5 milhões de adultos.

De acordo com a matéria publicada no jornal italiano, até mesmo o ministro da Cultura, Gilberto Gil, tem em sua casa um DVD pirata do filme. Segundo relatos, Padilha foi à casa do ministro para solicitar ajuda no combate à pirataria. Porém, o diretor achou uma cópia na sala do ministro. Gilberto Gil se defendeu dizendo que tinha recebido o DVD de um amigo e não havia assistido.

Já o jornal americano destacou que “Tropa de Elite” levou o Brasil – das favelas às coberturas e até nos gabinetes oficiais - a discutir a violência na cidade maravilhosa. “O filme é centrado nos policiais que combatem as gangues de traficantes de drogas que controlam as favelas do Rio”, diz o jornal. O "The Washington Post" ainda salienta que por décadas, a maioria das mais de 600 favelas do Rio vem sendo comandadas por essas gangues e que a polícia, tanto militar quanto civil, mantem uma guerra contra esses grupos e são comumente criticadas por serem tão brutais. “Os tiroteios são comuns e os moradores das favelas ficam freqüentemente sob fogo cruzado”, relata o jornal.

Apesar de o diretor José Padilha declarar que a intenção era mostrar a guerra da perspectiva de um policial e “deixar a audiência julgar” se o policial é bom, mau ou ambos – afirma a reportagem -, o filme é visto por uns como uma tentativa de desculpar os abusos cometidos nas favelas.

Porém, uma questão apontada pelo filme que não foi destaque no jornal americano, é que mostra a cumplicidade dos usuários de drogas com o trágico. No filme de Padilha, que tem como roteirista um ex- policial do BOPE, um grupo de universitários que usam drogas compactuam com a violência, pois são, na verdade, os financiadores dela. Essa visão é abordada atualmente na TV em campanhas publicitárias que têm como objetivo conscientizar as pessoas que sendo usuárias de drogas estão contribuindo para o tráfico. Numa das cenas mais chamativas do filme, o capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura, questiona: "Quantas crianças têm que morrer só pra um playboy poder acender um baseado?". Não deixa de ser um ponto a ser considerado.
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foto: Divulgação

2 comentários:

leilopes27 disse...

Gostei da materia asssisti ao filme.No filme entendi q é necessario expor o ponto das crianças q morrem pra q um playboy fume,cheiro..se drogue.Mas tambem mostra com grande clareza a corrupção do sistema trabalhando pro sistema e a população sendo como sempre mto prejudicada.Tambem importante pensar,discutir e cobrar dos poderes publicos. O filme é de grande importancia pra atingir na ferida da incapacidade do governo

Pedro Ivo Martins disse...

Ainda não vi o filme, apesar de ter uma cópia pirata na casa do meu sogro. É que sou meio puritano, nesse caso contra a pirataria. Vou ver no cinema.

Gostei do blog. Voltarei.